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Bem-vinda(o) à MarMel visualARTS do premiado artista Ton MarMel que desde infante manifestou dotes para pintura, desenho, escultura, frequentou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, participou de dezenas de salões, exposições no Brasil e exterior, é Doutor em Direito Público que tem a missão de oferecer conhecimento, obras e serviços de excelência com criatividade, segurança e eficiência. 


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sábado, janeiro 31, 2015

DILMA e SEU PAU-de-SELFIE

MITÔMATOS criam realidade paralela para se sentirem confortáveis - Inventar uma história sobre como os bebês são feitos para o filho ou dizer que se lembrou do aniversário de casamento, mas não teve tempo de comprar presentes tudo bem. Mentiras, até certo ponto, são recursos usados para ajustar situações e evitar dores, disse o psiquiatra mestre e doutorando do departamento de psiquiatria da Unifesp, Adriano Resende Lima. No entanto, contar histórias falsas de forma sistematizada é uma doença, conhecida como mitomania.

(Dilma e seu próprio Pau-de-Selfie)



Viver em um ciclo de mentiras e fazer delas um modo de viver é um problema. "A pessoa cria situações falsas, vivencia a mentira, cria uma realidade paralela e acredita nela", explicou Lima. Os sintomas podem se assemelhar aos da esquizofrenia, mas enquanto na mitomania a pessoa se sente confortável e realizada com a realidade paralela, na esquizofrenia ela sofre de paranoia. "Os funcionamentos são muito distintos, a esquizofrenia está ligada ou neurodesenvolvimento e tem vários estados de delírio, a mitomania é mais ligada ao funcionamento psíquico", disse ele.

O caso retratado no filme brasileiro VIPs foi inspirado na história de Marcelo Nascimento da Rocha que se passou por filho do dono da Gol, durante o carnaval de Recife em 2001. Rocha teve cerca de 16 identidades diferentes e, segundo o psiquiatra, exemplifica bem do que se trata a doença: mentir compulsivamente e usufruir das histórias.



O problema também não pode ser confundido com ações de estelionatários e corruptos que sabem que estão fazendo algo errado, mas cometem estes erros para se beneficiar dos golpes. O mitômano tem uma espécie de delírio, segundo Lima. "Ele cria uma fantasia e acredita que ela seja real", explicou, "até que confronta com está criação e tem um momento de serenidade, é um transtorno dissociativo", acrescentou.

NO COMEÇO É UMA "MENTIRINHA"
O que a professora do Instituto de Psicologia da USP, Leila Tardivo, explica é que para toda mentira existe uma razão. "Mesmo quando o filho mente sobre a nota que tirou na escola. Ele mente por medo de punição, falta confiança na relação entre os pais e ele", disse ela. O mitômano, segundo ela, tem dificuldade em aceitar a própria realidade. "Ele tem baixa autoestima, não se aceita", disse.



Não existe apenas uma causa da mitomania, é um conjunto de fatores que provocam o problema. "As causas são multifatoriais: histórico de vida, relacionamentos, primeiras impressões dos pais, padrão de relação parental, genética, experiências", enumerou o psiquiatra Adriano Resende Lima. Segundo o psiquiatra, são múltiplas as causas da doença. Um trauma, por exemplo, pode provocar o problema: "a pessoa cria uma realidade falsa para se defender da experiência traumática", explicou.


Grande parte dos adolescentes passa pelo período de "pescador", quando conta que "os peixes são maiores do que na verdade são". De acordo com Lima, a mitomania pode despertar na fase da puberdade, adolescência ou até em adultos. No entanto, é mais comum o surgimento entre jovens. Mesmo assim, contar vantagens para impressionar os amigos não se enquadra nos sintomas da doença. "Exagerar no que conta para os amigos é considerado normal", disse Lima.


TRATAMENTOS
Segundo Leila, a compreensão das pessoas ao redor do paciente é importante. Se viver a verdade afastará amigos, trará punição ou constrangimento, o tratamento é dificultado.

 "É preciso fazer a reinserção social da melhor maneira possível", disse ela. A mitomania é uma alteração do pensamento, algo que, segundo a psicóloga, o indivíduo cria e começa a acreditar. "É preciso trazê-lo à realidade", disse.


A maioria dos pacientes passam apenas por terapia para tratar a doença, poucos são os casos em que são necessários medicamentos, segundo o psiquiatra Adriano Resende Lima.


(Thaís Sabino)